Essa foi uma viagem que eu fiz no ano passado pra Bahia, com mais dois amigos. Mas seria interessante fazer um breve relato sobre as circunstâncias que a antecederam...
Eu comprei uma moto alguns meses antes, que rodou comigo cerca de 50 Km antes de dar um defeito grave. Desde então passou vários meses em diversas oficinas até que ficou pronta, justamente na época em que o pessoal iria fazer uma viagem grande. Perfeito!
Perfeito??
PS: O que se lê abaixo é um email que foi enviado aos amigos quando eu voltei, sem muitas edições.
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Saindo de Curvelo, quase chegando a Montes Claros, o bagageiro da minha moto se soltou quando os parafusos que o sustentavam quebraram, fazendo com que meu amigo Bin tivesse que levá-lo na sua moto. Encontramos um posto e fizemos o reparo, ficando bem firme.
Saímos do posto e um pouco mais adiante (uns 90 Km) o pneu do Bin furou, por sorte em frente a uma borracharia no meio do nada, e enquanto esperávamos pelo conserto, tive um constatação terrível (desculpem o termo...): "Puta que Pariu!! Cadê a placa da minha moto?????".
É isso mesmo... A placa havia caído e estava em algum lugar entre aquele local insólito e o posto onde fizemos o reparo do bagageiro, a 90km de distância, onde eu a tinha visto pela última vez....
O que fazer agora? Como ir de um estado a outro sem a placa de indentificação? Putz... E como voltar praticamente a mesma distância? O que seria pior?
O pior estava apenas por vir...
Decidimos que iríamos em frente e se algum guarda nos parasse, usaríamos todo o talento que tínhamos para convencê-lo de que ele não tinha nenhum motivo para apreender uma moto que só estava com os docs vencidos, em nome de outra pessoa e sem a placa. Ora bolas!
Mais um pouco à frente, cerca de 150 Km de onde reparamos o pneu do Bin, foi confirmada outra constatação feita anteriormente: A minha moto não faria 250 Km de autonomia e acabou a gasolina. Mas uma coisa estava estranha. Ela fez apenas 160 Km de autonomia, quando nos outros abastecimentos tinha feito média de 210 Km. Por que ela estava consumindo tanto? Foi o primeiro sinal da tragédia que ainda viria...
O Bin empurrou minha moto com a dele e chegamos a um posto. Abastecemos e fomos embora. Antes de chegar à divisa com o estado da Bahia, a moto começou a apresentar falta de potência. Mais tarde descobriríamos que ela estava batendo válvulas, fruto de falta de óleo e de experiência do dono e piloto. Decidimos chegar ao hotel mais próximo e descansar, pois já eram 20:00h.
Chegamos, descarregamos, e na hora de guardar as motos na garagem do hotel, eu que já havia subido e descido daquela moto inúmeras vezes, chutei o bagageiro e derrubei-a em cima do carro de outro cliente do hotel, subtraindo dos meus cofres, depois de muita discussão e ameaças de chamar a polícia, uma quantia importante e que faria falta no resto da viagem.
"Amanhã, outro dia....." como diria Djavan
Acordamos e seguimos viagem, que durou apenas 40 Km antes de minha moto travar o motor de vez (íamos tentar chegar até Vitória da Conquista para achar uma oficina e deixar a moto), mas não foi o último problema que tive com a Meretriz, nome com o qual a batizei.
Por sorte (sorte????), ela travou uns 800 mts depois de um posto da receita estdual, então era só empurrar um pouco e deixar lá para que alguém que estivesse descendo da Bahia pudesse levá-la para Curvelo ou Belo Horizonte. Mais uma vez o Bin me ajudou empurrando a minha moto com a dele, e quando íamos fazer o retorno, um caminhão veio por trás e na velocidade que vinha, apenas buzinou, projetando-se na nossa direção, e obrigando o Bin a ir para o canto da estrada. Mas o problema todo é que EU estava mais ao canto ainda não tendo como escapar pro outro lado, nem tão pouco frear, pois o Bin estava empurrando a moto.
O resultado foi um belo tombo na margem da estrada e dez minutos de gargalhadas desenfreadas, pensando "qual a razão pra tanto azar?".
Após me recuperar, deixamos a moto no posto fiscal e foi o fim da viagem na minha moto e da viagem da minha moto. O que se iniciou a partir daqui foi uma odisséia de dor intensa nos fundilhos em função da falta de conforto na garupa do Bin. Os "peores" 800 km da minha vida. Mas engraçado é que não tivemos mais nenhum problema relacionado a moto...
Chegamos em Catu (dispensemos as rimas), por volta de 20:00h deste fatídico dia e a partir daí o que se seguiu foram três dias em companhia de amigos, muita festa, até uma praínha, e deu até pra esquecer os problemas da vinda.
Hoje, depois de estar de volta pra casa em segurança, eu penso que valeu cada minuto.
Se quem ler esse testamento tem gosto por aventura, sem se preocupar com que saia tudo absolutamente certinho (é claro que também não precisa sair tudo errado), tem que experimentar uma viagem dessa. Apesar de tudo o aprendizado foi grande e eu já tô doido pra ir de novo pra outro lugar de moto.
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