sábado, 30 de março de 2013
No andar onde eu estou tem uma sala com um filtro e água à vontade.
Eu tenho sede.
Decido ir encher minha garrafa de água, me levanto, abro a porta.
Dou um passo na varanda que dá de frente pra BR.
Dois passos.
Meia volta abrupta dois passos rápidos de volta ao quarto.
Ainda bem que lembrei. Acho que deu tempo. Acho que ninguém viu.
Eu estou peladão.
Eis que chegando ao hotel, agora à noite, vendo o estacionamento em frente pensei:
"PUTA QUE PARIU! Cadê o carro do trampo? Será que larguei aberto? Tô fudido, como vou explicar isso? Tôfudidotôfudidotôfudidotôfudido...."
Mal sabia eu que não consegui ver o carro do trampo pelo simples fato de estar dentro do carro do trampo.
No hotel que eu tô hospedado, existe uma janela que liga o banheiro do meu quarto co o banheiro do quarto vizinho.
Eis que, à meia noite, o filho duma égua meu solta um barro que parece ter saído das entranhas do inferno, empesteando o meu banheiro e, conseqüentemente, o meu quarto.
Amanhã tem troco. Vou comer batata doce e repolho o dia inteiro. Esse dobra cueca que me aguarde.
Eu tava pensando por que na nossa cultura é aceitável de se ver violência enquanto outros temas são tabu.
Por exemplo, a qualquer horário é possível ver produções em que há mortes por tiros, acidentes, torturas, amputações, tudo isso retratado da maneira mais fiel possível. Nas cidades do interior é comum passar umas versões hardcore do Cidade Alerta, em que sempre deixam escapar aquela trama de quadradinhos que camufla a imagem pra deixar o público dar uma espiada doentia no presunto fresco. Quer mais? Até nos canais ditos respeitáveis, confiáveis é possível ver alguém morrer. Se não aparecer sangue vermelho, sem problema! Pode exibir e dizer que morreu. Mas será que não dá na mesma?
Qualquer tragédia que envolva muitos mortos tem suas imagens amplamente divulgadas por aí. Eu me lembro da revista Veja, quando aconteceu o terremoto no Haiti. Se espremesse, derramava sangue... Até pouco tempo atrás, qualquer coisa digitada no Google Imagens culminaria num mar de fotos de gente morta, destroçada. Digitasse "ursinho fofinho" e lá estava um bolo de carne que dizia-se ser alguém atacado por um urso pardo no Alasca.
Em contrapartida, coisas como nudez e sexo são assuntos restritos. Pêlos pubianos, só de madrugada. Se aparece peitinho na novela é aquela polêmica. Todo mundo na televisão faz bubiça debaixo dos lençóis e isso deve ser ruim demais...
Enfim, ficou a dúvida, por que é mais aceitável estar exposto a coisas relacionadas com a morte e a violência do que com o amor?
E por favor, não venham pensar ou comentar que eu pretendo liberar conteúdo adulto pras nossas criancinhas. Não é isso e cada coisa no seu tempo. Só queria entender por que um não pode, e o outro, que é pior e mais feio, pode.
E aí, descambando nessa viagem, lembrei de outro assunto que é tabu. O COCÔ! Nunca vi uma imagem de cocô na mídia de massa. Gente estraçalhada sim, mas um cocozinho fedorento, isso nem pensar! Esse cocô, que todo santo dia sai de dentro de você e que depois você o olha nos olhos, é muito mais repugnante que uma guerra.
Tô me sentindo naquele livro do Stephen King, O Iluminado. Sou o único hospede dum hotel imenso que parece ser da década de 40, com uma equipe de funcionários que mais lembram a Família Addams.
Pra completar, ontem tive durante a noite aquelas sensações fodas, em que a gente tá meio acordado mas não consegue se mexer por que parece que alguma coisa está segurando ou que não tem força ou controle do corpo. Porra, é muito ruim! Pra completar, em que eu estava pensando na hora? Coisas do além do aquém, donde vevem os mortos. Agora eu tô rindo da situação, mas na hora caguei grosso.
Estava eu segunda feira, nesse mesmo hotel, umas onze da noite, no corredor do andar com o note, por que no quarto não pegava sinal de internet. Silêncio absoluto até que JÁ QUE CÊ TÁ NO FACE, ADICIONA EU AÍ!
A porra do cara me aparece do nada e gritando. Na hora, de tanto susto, respondi como o E.T. de Paracatú: "Hã?".
- ME ADICIONA AÍ QUE CÊ TÁ NO FACE!.
- Te conheço não, doidim!
- PRAZER, JUAREZ!
E sumiu do mesmo jeito que apareceu...
Eu, saindo do prédio, às 20:30, quase ninguém mais trabalhando. Estou no nono andar indo em direção ao elevador, e tem um camarada (que eu cumprimento todos os dias) uns 4 metros na minha frente, na mesma direção.
Distância suficiente para que dê tempo dele chamar o elevador, que já estava no andar, entrar e pressionar o botão para fechar a porta, me deixando pra trás, mesmo sob pedidos para esperar.
Esses momentos proporcionam pra gente reflexão e sabedoria, e a minha epifania foi:
"Que filho duma égua!"
Reunindo escritos...
Vou juntar meus escritos de outros lugares aqui, começando por este:
- Espelho, espelho meu, existe roupa mais brochante que capa de chuva?
- Existe, meu filho. Tanga de onça.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Era uma vez, no velho oeste.
CASO VERÍDICO:
Talvez pela viagem recente que fiz lá praquelas bandas, me recordei de um caso acontecido lááá nos idos de 2006, o qual vou tentar relatar com fidelidade abaixo:
Foi numa tarde quente de 2006, quando eu dirigia de Chapada do Norte para Berilo, cidades próximas à Capelinha. Uma estrada de terra malvada e mal cuidada, o sol rachando e avisto uma senhora gigante andando com dificuldade, levando uma trouxa enorme na cabeça. Paro, pergunto se ela aceita uma carona, ela aceita e entra no carro, conversa vai, conversa vem, ao que chegamos ao seguinte diálogo:
- Tá vendo esse aí no cavalo? Esse aí é perigoso!
- É? E o que que ele fez pro povo achar assim, tão perigoso?
- Matou o pai.
- Que isso? Nem imagino alguém pra matar o pai. Não deve ter sido atoa também, né...
- Foi não, ele tava com muita raiva do pai.
- É mesmo? E o que que o velho aprontou pro rapaz ficar assim?
- Ah, ele matou a mãe dele, né?
- Nuóóóóssa Senhora! Que povo é esse, meu Deus? Que confusão! Mas aqui, o que a esposa fez pra ser morta?
- Uai, um dia que ele chegou tarde em casa, ele pegou a faca e queria matar ele, aí ele fugiu pela janela, entrou pela outra, apanhou o revólver e sentou bala nela.
E antes da tal viagem, quando disseram que o povo de lá era nervoso, eu não botei fé.
quinta-feira, 31 de março de 2011
Pergunta idiota, tolerência ZERO!
Uma vez no orkut, alguém (Bob) me perguntou:
Caro amigo, estive pensando...
Como faço para ter um bernie?
Achei mto interessante aquela sua experiência de ter criado um verme de mosca varejeira no baço e depois convencê-lo a sair com um pedaço de toucinho quente.
Quero criar um também!
Tem idéia do que eu posso fazer para adquirir um?
Ao que obteve como resposta:
Peço desculpas, caro amigo, mas terei que corrigir-lhe.
A minha criação deu-se nas costelas e não no braço. Basta que você desenvolva uma espinha no local onde deseja criar o seu, para que a mosquinha tenha onde botar os seus ovos.
ATENÇÃO: Espante as moscas de aparência raquítica, ou que não apresentem cores vivas, senão o seu filhotinho pode não sair forte e vistoso.
Após a fecundação, deixe ele comer a sua carne por aproximadamente três semanas. De preferência, beba bastante cerveja para que sua carne fique bem macia e facilite o trabalho do verme peralta.
Quando o bichinho estiver crescido, basta atraí-lo com duas colheres de pasta de amendoin diariamente, sobre a ferida, que ele sairá do seu corpo e então você pode amá-lo e abraçá-lo.
Podes também colocá-lo salada, que fica supimpa!
Amplexos.
Caro amigo, estive pensando...
Como faço para ter um bernie?
Achei mto interessante aquela sua experiência de ter criado um verme de mosca varejeira no baço e depois convencê-lo a sair com um pedaço de toucinho quente.
Quero criar um também!
Tem idéia do que eu posso fazer para adquirir um?
Ao que obteve como resposta:
Peço desculpas, caro amigo, mas terei que corrigir-lhe.
A minha criação deu-se nas costelas e não no braço. Basta que você desenvolva uma espinha no local onde deseja criar o seu, para que a mosquinha tenha onde botar os seus ovos.
ATENÇÃO: Espante as moscas de aparência raquítica, ou que não apresentem cores vivas, senão o seu filhotinho pode não sair forte e vistoso.
Após a fecundação, deixe ele comer a sua carne por aproximadamente três semanas. De preferência, beba bastante cerveja para que sua carne fique bem macia e facilite o trabalho do verme peralta.
Quando o bichinho estiver crescido, basta atraí-lo com duas colheres de pasta de amendoin diariamente, sobre a ferida, que ele sairá do seu corpo e então você pode amá-lo e abraçá-lo.
Podes também colocá-lo salada, que fica supimpa!
Amplexos.
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