segunda-feira, 14 de abril de 2008

CURVELO PARTE 1 - A CRECHE


E lá vamos nós de novo...

Lá estava eu, na sexta passada, tomando minha cervejinha na companhia das minhas duas amigas do peito, programa este que tem se tornado um hábito ultimamente, sempre no bar do seu Flávio.

Tudo ia muito bem, até a chegada do meu cunhado, (que chamaremos aqui pela alcunha de "cunhado"), minha irmã e de nosso amigo que chamarei "Bob". Acontece que no dia seguinte seguiríamos para Curvelo, para participarmos de uma tal reunião do motoclube, o glorioso Zangões de Curvelo. E foi justamente a chegada dos cabras que me fez lembrar que acordaria cedo. Mas fazer o que? Já estava ali sentado e não iria embora agora. Bebi até perder o molejo das pernas, fato este que tem se tornado um hábito ultimamente, mas quem se importa? Nesse momento, Eu. Tava fudido no outro dia, tendo que rodar uns 170 Km sem dormir direito.

No outro dia cedo, passei na casa do Cunhado e liguei para Bob, que não atendeu o telefone. Ainda tinha que passar em Sete Lagoas para pegar mau amigo, que aqui chamarei de "Boiola" e sua namorada que chamarei de "Traça".

Após pegar os dois, seguimos viagem para Curvelo e lá chegamos por volta de meio dia. Paramos na oficina do "Shrek" e já estava rolando um churrasquin, com os integrantes do Motoclube. Foi aí que eu soube que não haveria nenhum churrasco e sim a distribuição de cestas básicas para uma creche local. "Bosta, podia ter ficado em casa" foi o que eu pensei naquele momento.

Outro fato é que eu seria batizado nesse dia, ou escudado, como alguns preferem. Eu e mais dois. E assim foi rolando o churrasco, com todos aguardando a chegada da caminhonete com as cestas para podermos prosseguir com a entrega.

Nesse meio tempo deixei meu colete para pregar o brasão, e quando fui pegá-lo, ao chegar de volta à oficina, levei alguns tapas (não foram tapinhas...) nas costas, um singelo banho de cerveja e uma baldada d´água, num ritual de iniciação. Agora eu era realmente um Zangão!

O ritual se repetiu com os outros dois integrantes e as cestas chegaram. Montamos todos em nossos bólidos e seguimos para a creche, que fica num bairro afastado de Curvelo. Chegando lá aconteceu o que me motivou a escrever esse artigo. Não senti alegria alguma ao entregar aquelas cestas às crianças.

Ao olhar aquela alegria incontida e os olhos marejados de lágrimas dos pais e da diretora da creche, o sentimento que me tomou de assalto foi uma tristeza sem tamanho. Olhava pra aquilo tudo e não conseguia parar de calcular. Aquilo era uma de muitas creches de uma cidade pequena do interior de um estado, razoavelmente bem estruturado, dentro de um país enorme.

Quantas pessoas não estão passando pela mesma situação daquelas pessoas, senão pior, agora mesmo? Puta que pariu!

Depois continuo com o resto do dia. Ainda falta falar da traça e de um dos batizados, que mais tarde chamaremos de "marítimo".

Fui!

segunda-feira, 7 de abril de 2008

PUTA MERDA! "ARRUPIEI"

"Suguei" ( no bom sentido, é claro) isso do perfil do Orkut de um primo meu, camarada, amigão, queridão e docinho de côco. Li e fiquei emocionado (no sentido "hombre" da palavra), então com a licença dele e do espírito de William Shakespeare, vou postar aqui, por que tem muito a ver com o curso que a minha vida levou até aqui e com a minha conduta.

Agora vou parar de escrever senão todos vão pensar que sou boiola. Nada contra boiola, apenas não sou... Ainda não.

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Você Aprende - William Shakespeare

"Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar a alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, com graça de um adulto e não a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair meio em vão."

"Depois de algum tempo, você aprende que o sol queima, se ficar a ele exposto por muito tempo. E aprende que, não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que, não importam quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo (a) de vez em quando, e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que leva-se anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá para o resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer, mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos, se compreendermos que os amigos mudam. Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com que você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos."

"Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm muita influência sobre nós, mas que nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que você pode ser. Descobre que leva muito tempo para se chegar aonde está indo, mas que, se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados."

"Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer,enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática.Descobre que algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute, quando você cai, é uma das poucas pessoas que o ajudam a levantar-se. Aprende que a maturidade tem mais a ver com tipos de experiências que se teve e o que se aprendeu com elas, do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há mais de seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes, e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

Aprende que quando está com raiva, tem direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama mais do jeito que você quer não significa que esse alguém não o ame com todas as forças, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, e que algumas vezes, você tem que aprender a perdoar a si mesmo."

"E que, com a mesma severidade com que julga, será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára, para que você
junte seus cacos. Aprende que o tempo não é algo que se possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende realmente que pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir mais longe, depois de pensar que não pode mais. E que realmente a vida tem valor diante da vida !!!"

domingo, 6 de abril de 2008

Segundo Relato - Viagem Insolita (Again)


Resolvi comprá-la e comprei.

Sei o que muitos estão pensando, assim como recebi muitas respostas com os mais variados adjetivos, associações da minha personalidade com animais eqüinos, conselhos, orações, macumbas e por aí vai. Entendo os pontos de vista e por diversas vezes até mesmo concordo. Também não vou desfiar o rosário justificando quais os "porquês" e os poréns. Digamos apenas que nesse caso eu uni o útil ao agradável.

Nem vou tentar explicar sobre o lado prático, ou útil de se comprar uma moto a 1400 Km de distância de casa, vir pilotando, chegar praticamente destituído de qualquer faculdade mental ou condição física. Ainda mais quando se tem no currículo experiências como aquela outra viagem com a Meretriz...

Mas o lado agradável... Imagine-se fazendo a coisa que lhe traz mais adrenalina. Atenção, não disse a que lhe dá mais prazer. Sei muito bem que há muitas outras coisas melhores do que andar de moto! Imagine-se sentindo essa adrenalina durante horas seguidas, como num salto de bungee jump que durasse cinco ou seis horas, por exemplo. Ver o mundo num ângulo de 360°, a paisagem mudar totalmente em relevo e vegetação, as relações sociais meio atrapalhadas entre os motoristas e a curiosidade geral das pessoas quando vêem um trator de duas rodas, com bolsas amarradas em todos os lugares possíveis, pilotado por um ser vestido como um ET de Varginha sujo de óleo, graxa e poeira de asfalto.

Mas deixemos de poesia barata, por que eu sei que o que vocês querem mesmo é dar boas risadas da minha cara, embora eu não possa proporcionar, desta vez, tantas situações cômicas quanto a da minha primeira viagem. Graças ao bom Deus!

Tudo começou no final de semana após o carnaval. resolvi que compraria uma moto e tinha as minhas razões. Numa conversa com meu primo no MSN, soube de uma Suzuki DR-800S, que um amigo dele estava vendendo em Salvador. Olhei o preço e estava abaixo da tabela, então eu disse a meu primo que se o homem aceitasse uma quantia X, abaixo ainda da que ele pedia, eu ia buscar a moto na semana seguinte, nos meus últimos dias de férias. Continuei conversando com outras pessoas até que veio do meu primo: "Tô ligando pra ele.". "Ele aceitou.".

Putz! Não era pra levar tão a sério! Conversamos mais um bocadinho e foi nesse momento que pesei a relação UTILIDADE x AGRADABILIDADE.

Combinamos tudo e comprei as passagens já para a segunda-feira à noite. Iria de avião e voltaria de moto na quarta.

Talvez o vôo tenha sido a parte mais desagradável da viagem. O vôo mesmo foi tranqüilo. A vista das luzes de Salvador delimitando o limite entre a orla e o mar é muito bonita, e além disso fui conversando com uma senhora e seu filho que estavam de férias e iriam pra Ilhéus em seguida. O problema é que achei que o piloto do avião tinha uma inegável cara de picareta dos anos 70, e isso me preocupou por que, picareta que ele era, podia ter enchido a cara de wisky antes do vôo e isso colocava a minha vida em alto risco. Além disso ele fez o pouso a 800 mil quilômetros por hora e me lembrei da tragédia acontecida em São Paulo, agarradinho na minha poltrona.

Desci do avião, me encontrei com meu primo Gabiroba, sua esposa e o Adriano. Seguimos de carro até a casa do cabra, dei-lhe os cheques, recebi as chaves e as instruções, a moto recebeu o último abraço de seu antigo dono, montei na bichinha e partimos em direção a Catú. Eram aproximadamente 0:00h. Cem quilômetros depois, já estava repousando, satisfeito com a compra e ansioso pra voltar pra casa em cima dela.

Os dias que seguiram em Catú, de terça até quarta, foram tomados acompanhando meu primo em seu ofício, curtindo um churrasquinho na sacada de sua casa, e até curtindo uma praiazinha em plena quarta-feira de tarde. Na noite de quarta, comemos uma (várias) pizzas e fui dormir, por que sabia que o que me aguardava não era brincadeira.

Quinta feira, às 7:00h daqui (na Bahia não tem horário de verão, portando lá eram seis da matina), parti e daí por diante foi só alegria!

Ah! As curvas... Retas são muito sem graça, sisudas, diretas... As curvas são hipnotizantes, mais desafiadoras para a esquerda do que para a direita no meu caso. Uma pessoa que realmente gosta de pilotar ou dirigir não pode gostar de uma reta. Gosta da reta quem quer chegar logo. Na reta basta acelerar e você chega do outro lado! Na curva tem que se calcular velocidade, inclinação, tangência, frenagem e aceleração, e ainda assim, correr o risco de se estrepar todinho caso erre um cálculo.

E foi depois de muito tempo que elas realmente chegaram, as curvas. E foi o primeiro grande momento da jornada. O segundo foi quando eu parei para abastecer e descobri que: 1) a moto, que pelo manual deveria consumir 20Km/L, estava gastando o dobro! Ora, pra beber desse jeito eu teria comprado um carro! 2) Além disso havia uma verdadeira lambreca no motor, causada por um vazamento de óleo, não sei de onde. Eu havia andado aproximadamente 300Km e decidi chegar até Vitória da Conquista para ver o que estava acontecendo.

Chegando lá, fui procurar uma oficina. Em pleno horário de almoço, na Bahia, isso se torna missão um pouco difícil. O comércio estava quase todo fechado. Achei uma, mas o mecânico não poderia olhar minha moto no mesmo. Em outra, fiquei aguardando por volta de uma hora até que o mecânico NÃO apareceu.

É aí que entra o companheirismo no motociclismo. Gabiroba, sabendo da minha situação, ligou para um amigo que avisou a outro amigo, mecânico da Suzuki de Vitória da Conquista, que eu iri lá para dar uma olhada na moto. Porém, este cabra, que inclusive foi extremamente gente boa, muito educadamente me aconselhou a colocar a moto numa cegonha e ir de ônibus, pois ali eu não acharia nenhuma peça para ela. O jeito seria voltar e ver se o outro já tinha chegado do almoço. Fui lá, e o Jackson, dono da oficina me atendeu muito bem. Sujeito bonachão, viciado em fanta resolveu meu problema do carburador, e constatou que o vazamento de óleo era provocado apenas pelo excesso, porém teve que praticamente desmontar a moto para ter acesso ao carburador. E isso demorou pra cara***.

Saí de Vitória da Conquista, após esperar cerca de cinco horas e beber uns 7 litros de fanta. Decidi que pilotaria a moto um pouco a noite afim de chegar até o trevo, no mesmo lugar onde havia dormido na viagem do ano passado. Isso era 19:30h, horário daqui.

Ah! As curvas.... Eu não teria escrito toda aquela balela sobre as curvas se elas tivessem aparecido depois desse trecho e se agora eu não fosse obrigado a passar por elas à noite. Meus Deus, que roia, que medo e que arrependimento de não ter dormido em Vitória mesmo. Foi nessa hora que tive certeza que eu era mesmo um jumento, como alguns tinham me falado.

E por falar em noite, incrível o que aconteceu quando o último raio de luz solar se foi. Os insetos que vez ou outra se estrepavam contra a viseira do meu capacete, multiplicaram-se em numero e tamanho, em proporções assustadoras. O impacto desses bichos que surgiram agora contra o capacete era impressionante e, como eram muitos e muitos, a todo instante eu tinha que limpar a viseira com a manga da jaqueta.

Mas cheguei ao trevo bem, são e salvo, e o que ví assim que cheguei ao Hotel Cariri, foi como a própria visão do inferno, que fez o meu sangue gelar. Uma Parati azul metálico claro. O mesmo carro em que a meretriz havia despencado um ano antes, me enchendo de tristeza e prejuízos. Eu não acreditava na cena e por via das dúvidas estacionei o mais longe que pude. Se a moto fosse cair agora, que fosse no chão!

Confirmei com o atendente do hotel que a maldita Parati era realmente a maledita do ano passdo. Ele se lembrou de mim e do episódio, e ainda riu da minha cara, me chamando de azarado. Mas não encontrei com o dono, ainda bem.

Saí às 6:00 da manhã do outro dia, tranquilo, e agora a moto consumia próximo dos 20 Km/L que eu tanto queria. Quando eu passei pelo lugar onde a moto do Bin havia furado o pneu no ano passado, e onde eu descobri que a Meretriz tinha ficado sem placa, comecei, inconscientemente, a olhar pro chão, procurando a placa danadinha fujona pra levar de recordação. Chegando a Montes Claros não resisti e parei no posto onde achava que a tinha perdido e perguntei: "Por acaso vocês não acharam uma placa de moto aí não?" "Ano passado eu passei por aqui e acho que ela caiu nesse posto.".

Nem preciso falar que fui tratado por doido, mas tudo bem. Eles não sabiam da outra história...

Cheguei em Curvelo no início da tarde de sexta-feira, e fui raptado pelos amigos para comemorar. Acabei chegando às 23:00h na casa do meu tio, alcoolizado, e bati o maior papo cabeça com ele durante alguns minutos. Meu tio tem mesmo muito saco pra ficar me aturando lá....

No sábado, vim embora, sentindo dores de parto, só que nas mãos. Passei por Sete-Lagoas pra rever um brother, e terminei de chegar em casa lá pelas 17:00h. O último fato relevante dessa viagem é que, na noite de sábado, após dormir alguns minutos e relaxar, eu parecia um zumbi. Parecia que alguém tinha sugado o meu cérebro e eu não conseguia pensar em nada! Ia até a geladeira, abria e olhava vagamente pra dentro dela. Fechava. Sentava no sofá, ligava a TV e ia novamente abrir a geladeira para tornar a fechá-la e em seguida subir até o meu quarto e ver que não tinha nada que eu quisesse ali. Descia, desligava a televisão e ligava-a logo em seguida. Este ciclo se repetiu mais ou menos assim por quase toda a noite.

No domingo, enchi a pança de cerveja e agora estou aqui.

Não vou encerrar poeticamente, dizendo o lado maravilhoso de ter feito essa viagem. Foi perigoso, doeu pra cacete, passei roia e fiquei todo imundo. Mas fui infectado por essa doença que é gostar de moto e nada posso fazer, a não ser outras viagens e contar outras histórias.

Primeiro Relato - Fui até a Bahia com a Meretriz...


Essa foi uma viagem que eu fiz no ano passado pra Bahia, com mais dois amigos. Mas seria interessante fazer um breve relato sobre as circunstâncias que a antecederam...

Eu comprei uma moto alguns meses antes, que rodou comigo cerca de 50 Km antes de dar um defeito grave. Desde então passou vários meses em diversas oficinas até que ficou pronta, justamente na época em que o pessoal iria fazer uma viagem grande. Perfeito!

Perfeito??

PS: O que se lê abaixo é um email que foi enviado aos amigos quando eu voltei, sem muitas edições.
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Saindo de Curvelo, quase chegando a Montes Claros, o bagageiro da minha moto se soltou quando os parafusos que o sustentavam quebraram, fazendo com que meu amigo Bin tivesse que levá-lo na sua moto. Encontramos um posto e fizemos o reparo, ficando bem firme.

Saímos do posto e um pouco mais adiante (uns 90 Km) o pneu do Bin furou, por sorte em frente a uma borracharia no meio do nada, e enquanto esperávamos pelo conserto, tive um constatação terrível (desculpem o termo...): "Puta que Pariu!! Cadê a placa da minha moto?????".

É isso mesmo... A placa havia caído e estava em algum lugar entre aquele local insólito e o posto onde fizemos o reparo do bagageiro, a 90km de distância, onde eu a tinha visto pela última vez....

O que fazer agora? Como ir de um estado a outro sem a placa de indentificação? Putz... E como voltar praticamente a mesma distância? O que seria pior?

O pior estava apenas por vir...

Decidimos que iríamos em frente e se algum guarda nos parasse, usaríamos todo o talento que tínhamos para convencê-lo de que ele não tinha nenhum motivo para apreender uma moto que só estava com os docs vencidos, em nome de outra pessoa e sem a placa. Ora bolas!

Mais um pouco à frente, cerca de 150 Km de onde reparamos o pneu do Bin, foi confirmada outra constatação feita anteriormente: A minha moto não faria 250 Km de autonomia e acabou a gasolina. Mas uma coisa estava estranha. Ela fez apenas 160 Km de autonomia, quando nos outros abastecimentos tinha feito média de 210 Km. Por que ela estava consumindo tanto? Foi o primeiro sinal da tragédia que ainda viria...

O Bin empurrou minha moto com a dele e chegamos a um posto. Abastecemos e fomos embora. Antes de chegar à divisa com o estado da Bahia, a moto começou a apresentar falta de potência. Mais tarde descobriríamos que ela estava batendo válvulas, fruto de falta de óleo e de experiência do dono e piloto. Decidimos chegar ao hotel mais próximo e descansar, pois já eram 20:00h.

Chegamos, descarregamos, e na hora de guardar as motos na garagem do hotel, eu que já havia subido e descido daquela moto inúmeras vezes, chutei o bagageiro e derrubei-a em cima do carro de outro cliente do hotel, subtraindo dos meus cofres, depois de muita discussão e ameaças de chamar a polícia, uma quantia importante e que faria falta no resto da viagem.

"Amanhã, outro dia....." como diria Djavan

Acordamos e seguimos viagem, que durou apenas 40 Km antes de minha moto travar o motor de vez (íamos tentar chegar até Vitória da Conquista para achar uma oficina e deixar a moto), mas não foi o último problema que tive com a Meretriz, nome com o qual a batizei.

Por sorte (sorte????), ela travou uns 800 mts depois de um posto da receita estdual, então era só empurrar um pouco e deixar lá para que alguém que estivesse descendo da Bahia pudesse levá-la para Curvelo ou Belo Horizonte. Mais uma vez o Bin me ajudou empurrando a minha moto com a dele, e quando íamos fazer o retorno, um caminhão veio por trás e na velocidade que vinha, apenas buzinou, projetando-se na nossa direção, e obrigando o Bin a ir para o canto da estrada. Mas o problema todo é que EU estava mais ao canto ainda não tendo como escapar pro outro lado, nem tão pouco frear, pois o Bin estava empurrando a moto.

O resultado foi um belo tombo na margem da estrada e dez minutos de gargalhadas desenfreadas, pensando "qual a razão pra tanto azar?".

Após me recuperar, deixamos a moto no posto fiscal e foi o fim da viagem na minha moto e da viagem da minha moto. O que se iniciou a partir daqui foi uma odisséia de dor intensa nos fundilhos em função da falta de conforto na garupa do Bin. Os "peores" 800 km da minha vida. Mas engraçado é que não tivemos mais nenhum problema relacionado a moto...

Chegamos em Catu (dispensemos as rimas), por volta de 20:00h deste fatídico dia e a partir daí o que se seguiu foram três dias em companhia de amigos, muita festa, até uma praínha, e deu até pra esquecer os problemas da vinda.

Hoje, depois de estar de volta pra casa em segurança, eu penso que valeu cada minuto.

Se quem ler esse testamento tem gosto por aventura, sem se preocupar com que saia tudo absolutamente certinho (é claro que também não precisa sair tudo errado), tem que experimentar uma viagem dessa. Apesar de tudo o aprendizado foi grande e eu já tô doido pra ir de novo pra outro lugar de moto.