sábado, 30 de março de 2013
Eu tava pensando por que na nossa cultura é aceitável de se ver violência enquanto outros temas são tabu.
Por exemplo, a qualquer horário é possível ver produções em que há mortes por tiros, acidentes, torturas, amputações, tudo isso retratado da maneira mais fiel possível. Nas cidades do interior é comum passar umas versões hardcore do Cidade Alerta, em que sempre deixam escapar aquela trama de quadradinhos que camufla a imagem pra deixar o público dar uma espiada doentia no presunto fresco. Quer mais? Até nos canais ditos respeitáveis, confiáveis é possível ver alguém morrer. Se não aparecer sangue vermelho, sem problema! Pode exibir e dizer que morreu. Mas será que não dá na mesma?
Qualquer tragédia que envolva muitos mortos tem suas imagens amplamente divulgadas por aí. Eu me lembro da revista Veja, quando aconteceu o terremoto no Haiti. Se espremesse, derramava sangue... Até pouco tempo atrás, qualquer coisa digitada no Google Imagens culminaria num mar de fotos de gente morta, destroçada. Digitasse "ursinho fofinho" e lá estava um bolo de carne que dizia-se ser alguém atacado por um urso pardo no Alasca.
Em contrapartida, coisas como nudez e sexo são assuntos restritos. Pêlos pubianos, só de madrugada. Se aparece peitinho na novela é aquela polêmica. Todo mundo na televisão faz bubiça debaixo dos lençóis e isso deve ser ruim demais...
Enfim, ficou a dúvida, por que é mais aceitável estar exposto a coisas relacionadas com a morte e a violência do que com o amor?
E por favor, não venham pensar ou comentar que eu pretendo liberar conteúdo adulto pras nossas criancinhas. Não é isso e cada coisa no seu tempo. Só queria entender por que um não pode, e o outro, que é pior e mais feio, pode.
E aí, descambando nessa viagem, lembrei de outro assunto que é tabu. O COCÔ! Nunca vi uma imagem de cocô na mídia de massa. Gente estraçalhada sim, mas um cocozinho fedorento, isso nem pensar! Esse cocô, que todo santo dia sai de dentro de você e que depois você o olha nos olhos, é muito mais repugnante que uma guerra.
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